terça-feira, 15 de junho de 2010

O engajamento da comunidade evangélica no projeto SÃO GABRIEL CONTRA O CRIME


A UMADSG - União da Mocidade da Assembléia de Deus de São Gabriel - se mobilizou na luta contra as drogas, promovendo uma blitz no entorno da Praça Fernando Abbot, entregando panfletos que alertavam sobre os efeitos do crack.
Uma sociedade engajada, que busca apoiar os projetos existentes para o combate à criminalidade, parece ser uma sociedade que não se rende à crescente violência e, por isso, não vai se deixar dominar pelo tráfico, não vai perder seus jovens para as drogas.
Não pude prestigiar, pessoalmente, o evento, em razão de compromissos pessoais. Mas deixo no blog o meu apreço a essas iniciativas, que fazem a diferença. São esses sonhadores, que sonham juntos uma sociedade melhor, e mobilizam-se por ela, que podem realmente transformar a realidade.
Para arrematar, uma citação do escritor Eduardo Galeano:

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".





sábado, 5 de junho de 2010

Maconha: o que os pais precisam saber


“Uso de maconha por adolescente tem impactos psicológicos, biológicos, sociais e legais que levam ao comprometimento do desenvolvimento do futuro adulto”. Afirmação do especialista em dependência química Sérgio de Paula Ramos* em “Maconha e Desenvolvimento Escolar”.

O psiquiatra, que já participou de várias comissões no Ministério da Saúde e na Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul descreve os riscos da maconha:

-pesquisas mostram que o uso de maconha experimentalmente tende a levar ao uso regular; grande parte dos fumam apresentam dificuldade para interromper o uso e acabam desenvolvendo dependência;

-maconha favorece o uso de outras drogas;

-maconha prejudica memória, atenção, tempo de resposta imediata, controle motor durante o período de intoxicação que pode durar várias horas; há pesquisas que revelam efeitos da maconha prejudicando as funções cognitivas por até 7 dias após o uso ;

-pesquisas mostram que estudantes que fumam maconha tem 38% mais chance de abandonarem a escola antes de concluírem os estudos do que aqueles que não usaram;

- uso precoce de maconha aumenta as chances de adolescentes adotarem um estilo de vida não-convencional, ou seja, se desengajarem de papéis convencionais como completar educação formal, arrumar emprego, participar de práticas religiosas e esportivas;

-eliminar o uso de maconha poderia reduzir a incidência de esquizofrenia em 8%;

-pesquisas nos Estados Unidos, na Holanda e na Austrália revelam taxas 2 vezes mais altas de maconha em pessoas com esquizofrenia;

-estudo sueco com jovens de 18 a 20 anos , no Exército, constatou que os que usaram maconha mais de 50 vezes possuíam 6,7 vezes mais chances de desenvolver esquizofrenia 27 anos mais tarde;

-quanto mais cedo a exposição à maconha, mais intenso é o seu uso e , portanto, maiores as chances de episódios psicóticos ocorrerem;

-estudo realizado durante 15 anos, constatou que usar maconha na adolescência quadruplica as chances de desenvolver depressão na fase adulta (Bovasso, G.B:Cannabis abuse as a risk factor for depressive symptoms. American Journal of Psychiatry , 158 : 12, pp. 2033-37 );

-o uso de maconha aos 18 anos aumenta a probabilidade de desenvolver algum transtorno mental aos 21;

- o consumo de maconha reduz a velocidade percepto-motora, a precisão de movimentos e a exatidão , habilidades fundamentais na direção (Kurzthaler,1999). Também jovens que estão dirigindo sob influência de maconha apresentam maior probabilidade de sentirem sono, dirigirem em alta velocidade e de estarem dirigindo sem cinto de segurança (Ramaekers, 2004) achados confirmados por Blows et al (2005). No Brasil não encontramos estudos que relacionam acidentes de trânsito e uso de maconha que tenham significância estatística. Parece que o consumo de maconha ainda não é percebido como problema por nossas autoridades, deixando evidente que essa área precisa ser mais bem estudada;

-quanto maior a frequência do uso de maconha e quanto mais cedo o uso, maiores as chances de estar associado a crimes e tentativas de suicídio;

Leia mais em:

_maconha/Maconha_e_desenvolvimento_escolar.pdf


Sergio de Paula Ramos:

Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1973), especialização em Psiquiatria pela Clínica Pinel de Porto Alegre (1975) e doutorado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (2003). Organizador e coordenador do Serviço de Alcoolismo da Clínica Pinel até 1982. Organizador e atual coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus. Fundador do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre o Álcool e o Alcoolismo (GRINEAA), da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e o Alcoolismo (ABEAA) – que presidiu de 1989 a 91 – e da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (ABEAD) – que presidiu de 2005 a 07. Possui larga experiência clínica na área da dependência química e, por isso, é convidado para dar supervisões em inúmeros serviços pelo pais, bem como várias conferências por ano sobre a matéria, em congressos da especialidade. Membro do Conselho Federal de Entorpecentes (1984 a 88) e de várias comissões de assessorias no Ministério da Saúde e na Secretaria da Saúde do RS.


falando com viciados em crack - reportagem do kzuka

Os malefícios do crack




Kzuka na Zero Hora 08/05/2009 - Marcela Donini





Não dê o start



Dois jovens em recuperação contam sobre os riscos de depender do crack



Imagine que você tem uma vida extra. Você poderia extrapolar todos seus limites e recomeçar tudo, com moderação. Só que você não é personagem de videogame. Os estudantes Ana* e Fábio* descobriram isso a tempo. Pararam de usar crack antes do jogo terminar. Aluna de colégio particular da Capital, ela está há cinco meses limpa. Ele estuda em colégio público e está internado há 15 dias, em uma clínica de Porto Alegre. Os dois aceitaram responder a perguntas do Kzuka, por e-mail, para contar por que não vale a pena entrar nessa.


Kzuka – Quando você experimentou o crack, tinha noção do seu alto poder de destruição?



Ana* – Sim, quando experimentei, todo mundo dizia isso, mas não levei muito em conta. Hoje, acho que até contou ser uma droga com mais poder de destruição, assim, eu seria mais eu. “Comigo o bicho não pega”, pensei.

Fábio* – Quando usei pela primeira vez, eu não sabia que fazia tão mal. Quando fui perceber, já estava viciado. Daí, fui saber a quantidade de porcaria que tem na pedra, gasolina, esmalte, cimento...



Kzuka – Como a droga lhe foi apresentada? Seus amigos usam ou usavam?



Ana* – Eu tinha bebido e tava de olho no guri que me apresentou. Acho que isso diz tudo.

Fábio* – Fumava maconha diariamente. Um dia, resolvi misturar com a pedra porque me disseram que era melhor. Estava na casa de um amigo e saí para comprar. Virou diário o uso, fora de controle. Quase todos meus amigos usam, mas fumo sozinho. Eles ficam na rua, eu não. Acho que é por vergonha, medo de que meu pai me pegasse ou soubessem que eu era um drogado.



Kzuka – Quando você experimentou drogas pela primeira vez? E álcool?



Ana* – Álcool com 12 ou 13. Maconha com 15. Aos 15 e 16, eu mandava ver cerveja nas festas.

Fábio* – O crack eu comecei em 2008, mas, o álcool foi há muito tempo, aos 11 anos. O primeiro porre foi aos 14 anos.



Kzuka– Como você se sente hoje?



Ana* – Hoje, sei que poderia ter perdido o trem da vida. A sorte esteve do meu lado. Tô viva. Fisicamente, tô recuperada. Psicologicamente, ainda é difícil. Quando bate a fissura, ninguém me aguenta.

Fábio* – Quando eu usava a droga, me sentia bem. Resolvi um monte de problemas, me sentia legal. Depois, eu fiquei muito mal, muito fraco, comecei a destruir a família, eu mesmo. Agora que eu tô me tratando, tô me sentindo muito melhor, me recuperando.



Kzuka – Como estão os estudos, chegou a interrompê-los? No colégio, sabem da sua situação?


Ana* – Atrasei a 3ª série do Ensino Médio, ano que usei crack. Matava muita aula no final, mas, este ano, sei que vou passar. Se meus pais não tivessem contado na escola sobre o crack, acho que só saberiam que eu usei drogas, e até aí, muita gente usa. Meus pais “botaram na roda”. Fiquei muito revoltada. Agora, acho que foi bom.

Fábio* – Eu não interrompi os estudos, só agora para me tratar. Mas piorei muito na escola. Quando usava drogas, as notas baixaram, não queria estudar. A escola sabe que eu tô me tratando, porque o pai levou um atestado, mas só alguns amigos meus sabem.



Kzuka – Como se deu o início do tratamento?



Ana* – Meus pais me levaram nuns quantos psicólogos e eu não aceitava. Diziam que era pra me internar à força. Como a Amy Winehouse, eu dizia “No, no and no”. Um amigo me levou pro grupo de Narcóticos Anônimos e deu certo.

Fábio* – Minha mãe me aconselhou. Depois que eles souberam, conversaram comigo, daí eu pensei bastante e resolvi me internar.



Kzuka – Como seus pais ficaram sabendo que você usava a droga?



Ana* – Meus pais dizem que foi um telefonema anônimo, mas eu negava, negava, negava. Até que não deu mais pra negar...

Fábio* – Eu escondia deles. Quando eu tava usando maconha, eles souberam por causa do cheiro e dos olhos vermelhos. Com o crack, começou a sumir coisas de casa. Eu tava levando dinheiro, calçados, roupa.



Kzuka – O que diria para jovens da sua idade que nunca experimentaram crack? E para quem usa outras drogas e bebe exageradamente nas festas?


Ana* – Nunca cheguem nessa parada. Atrasa tudo. Atrasa a vida. A ceva ou outra bebida com álcool qualquer é uma roubada. Teria muito pra dizer, mas cada um cuida ou descuida da sua própria vida.

Fábio* – Eu diria que não é bom. Pensem duas vezes antes de usar. O cara perde o controle, pode achar que é forte, mas sempre perde o controle, destrói a pessoa, a família. A droga é muito ruim. Quando tu usa uma droga por bastante tempo, tu quer usar outra. Então, não usem nenhuma droga. Tu não precisas encher a cara para curtir uma festa, se consegue fazer isso numa boa.



*Os nomes foram alterados para presevar a identidade dos jovens

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Se sua vida fosse um jogo e você se deparasse com o crack, veja como poderia ser



Start

Poucos começam no crack sem ter antes experimentado outras drogas, como maconha ou cocaína. Quem fuma um baseado de vez em quando e acha que está tudo bem, que a droga é inofensiva, está enganado. A verdade é que a maconha causa danos no cérebro, como perda de memória e dificuldade de expressão. Antes ainda, o exagero no álcool pode ser o primeiro passo da gurizada no mundo das drogas.



A experimentação

Para ser considerado dependente químico, o usuário precisa apresentar uma crise de abstinência. Isso pode acontecer a partir da primeira vez, se mais de uma pedra for fumada. Normalmente, a droga é apresentada por amigos e atrai pelo baixo preço (uma pedra custa em torno de R$ 5). Antes de o usuário perceber, já está cometendo pequenos delitos, em casa e nas ruas, para sustentar seu vício.



O tratamento

Apoio familiar e força de vontade do paciente são fundamentais. Após a internação, é feita uma avaliação e tratamento com remédios – pra controlar a fissura – e psicoterápico individual ou em grupos, utilizando técnicas que desenvolvem estratégias de enfrentamento em situações de risco, como festas com uso de drogas.



* Bônus

Você pode se tratar corretamente, tomando remédios e frequentando grupos de ajuda e seguir sua vida normalmente. Ou passar para a próxima fase...



A recaída

Diferentemente dos bonequinhos de videogame, você tem apenas uma vida. Sim, já dissemos isso antes, mas, às vezes, parece que é preciso lembrar. Não existem números oficiais, mas especialistas afirmam que o índice de recuperação é baixo, e as recaídas são frequentes entre os pacientes que deixam as clínicas. Voltar a andar com as mesmas pessoas é uma roubada.



Game over

Quanto mais o usuário fuma, mais precisa para se satisfazer. Se você chegou aqui, dificilmente, vai sair... É triste, mas é real. Muita gente morre por causa da droga. Diretamente, pelos danos causados no organismo, ou indiretamente, como em conflitos com a polícia, brigas entre gangues e cobrança de traficantes. A pedra joga o adolescente em um universo de violência do qual é difícil sair vivo.

Crack: Abra o olho!





* 66% dos adolescentes dependentes químicos (drogas e álcool) têm outra doença associada, como depressão ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH);


* Há 4 anos, não havia nenhum usuário de crack hospitalizado no Hospital Mãe de Deus, na Capital. Hoje, eles ocupam 40% dos leitos;


* Em um ano, 52% dos meninos viciados em crack que vivem nas ruas de São Paulo entrevistados pela Unifesp morreram;






Ciclos


Segundo o National Institute on Drug Abuse, dos Estados Unidos, a cada 15 ou 20 anos, fecham-se ciclos da droga “da moda”. Isso vale para o mundo inteiro. Dê uma olhada no que rolou nos últimos 40 anos.


Anos 60 e 70 : O barato era “viajar”. Maconha e ácido lisérgico (LSD) eram os preferidos dos jovens.


Anos 80: Nessa época, a galera queria “se ligar”. Os estimulantes da vez eram anfetamina e cocaína.


Anos 90 e 2000: Continuamos em uma fase em que os estimulantes estão em alta entre a galera. Hoje, o crack (uma versão da cocaína) e o ecstasy se popularizaram.






Fontes consultadas: Sérgio de Paula Ramos, psiquiatra coordenador da unidade de dependência química do Hospital Mãe de Deus, na Capital, e José Fernando Aidikaitis Previdelli, psicólogo da Clínica São José e do Hospital São Pedro, na Capital


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Crack não é mais uma droga "chinela": especialista diz que risco chegou à classe A



Psiquiatra diz que a pedra já se espalhou pelos colégios particulares da Capital



Ramos é coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus Foto: Dulce Helfer/BD Zero Hora

A pedra de crack custa cerca de R$ 5. Por causa desse preço, considerado barato no mundo das drogas, a pedra ficou com fama de ser uma droga utilizada apenas pelas classes menos favorecidas. Foram esses jovens que começaram a utilizá-la, mas isso mudou. "Hoje a pedra não é mais uma droga 'chinela', como se diz na gíria", avisa o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos. Ele é coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, e membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e outras Drogas.



Nesta entrevista para o Kzuka, o médico explica por que o crack atrai cada vez mais usuários e enfatiza a necessidade de prevenção. Acompanhe trechos do bate papo.



Kzuka – Quando o crack chegou ao Rio Grande do Sul?

Sérgio de Paula Ramos – Há seis ou sete anos, na região serrana. A primeira cidade onde se registrou a droga foi Caxias do Sul. Quando desceu para Porto Alegre, há quatro ou cinco anos, já era fonte de preocupação local.



Kzuka – É possível traçar um perfil entre os usuários?

Ramos – A maioria são jovens que começaram muito cedo no álcool. E do álcool foram para outras drogas, como a “maconhazinha” no colégio, percebida como droga inofensiva. Muitos pais desavisados me dizem “felizmente, meu filho só está na maconha”. Só que depois, ele cai na cocaína e segue a escalada das drogas até o crack. Hoje a pedra não é mais uma droga “chinela”, como se diz na gíria. Está em todas escolas particulares.



Kzuka – Por que o crack atrai cada vez mais usuários?

Ramos – É mais barato que a cocaína e o “barato” é maior. No Rio, os traficantes seguraram o quanto deu porque perceberam que o cliente não dura, já que o poder de destruição do crack é muito alto. Isso ocorreu lá porque o tráfico é mais organizado. Em Porto Alegre, o crack veio com tudo. O jovem necessita correr riscos, por isso procura esse “desafio”. Não adianta bater na droga e ficar repetindo que “não pode, não pode”. É como criança... Às vezes, o tiro saiu pela culatra...



Kzuka – O que funciona, então, no trabalho de prevenção direcionado ao jovem?

Ramos – Trabalho há 30 anos em prevenção em escolas e vejo medidas que funcionam. O colégio tem de ser visto como uma segunda oportunidade para o estudante. Se os pais são ausentes, o jovem pode encontrar no professor predicados como carisma etc. O colégio também deve diminuir a distância entre pais e filhos. Atrair os pais para dentro da instituição. Em vez de ficar batendo na droga, é preciso valorizar a vida. Dar instrumentos ao jovem para enfrentar situações estressantes, nas quais ele buscaria refúgio no álcool ou nas drogas. Por exemplo, se ele é muito tímido, pode começar a beber para chegar nas meninas. Simulamos situações como festas e desenvolvemos sua habilidade social.

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Tratamento exige que jovem mude seus grupos de amigos, diz psicólogo



Especialista diz que escalada no uso de drogas mudou





O psicólogo José Fernando Aidikaitis Previdelli, que trabalha na Clínica São José com reabilitação de dependentes químicos, em Porto Alegre, convive no dia-a-dia com a galera que acabou se envolvendo com drogas. Nesta entrevista para o Kzuka, ele fala que a escalada no uso dessas substâncias mudou: hoje, em vez de seguir os ciclos tradicionais de passar do álcool para a maconha e daí para coisas mais pesadas, tem gente que começa a se drogar direto com crack.



Previdelli conta que a droga não é exclusividade das classes menos privilegiadas e que a recuperação de dependentes é difícil pois as recaídas são muito comuns. Para ficar "limpo", o jovem terá que mudar os grupos de amigos com quem anda. Confira o bate-papo



Kzuka – Como o jovem chega no crack?



José Fernando Aidikaitis Previdelli – A escalada do uso da droga tem mudado. Hoje já temos pacientes iniciando na cocaína e no crack, embora sejam minoria. Normalmente, começam com álcool e maconha. Trabalho no (Hospital) São Pedro também. Lá tem crianças de oito anos com crack, ou seja, já estão começando direto no crack. São pacientes de classe social mais baixa, em condição de rua.



Kzuka – É possível apontar as causam que o levam à droga?



Previdelli – O pai e a mãe estão cada vez mais ausentes, principalmente a figura masculina, e muitos passam a responsabilidade para a escola. Nas classes mais altas, se percebe a falta de limites por parte dos pais ainda na infância. Na adolescência, é normal que o filho rompa os limites impostos pela família, como tirar boas notas, arrumar a cama, ter horário para voltar de festas, coisas simples, que possam ser recuperadas. Se o adolescente não tem esses limites em casa, ele vai transgredir algo imposto pela sociedade.



Kzuka - Como o crack chegou em classes mais altas?



Previdelli – Uma pedra custa R$ 5. Por isso, facilitou a disseminação em classes mais baixas, inicialmente. O que se observa nas classes mais altas é que é que usam o crack por transgressão, pois normalmente começam na cocaína. O usuário de classe mais baixa usa como fuga de realidade.



Kzuka – Como se dá o tratamento de recuperação do dependente de crack?



Previdelli – Não se tem muitos estudos sobre o crack. É uma droga relativamente nova, cujo uso se iniciou nos anos 80 nos Estados Unidos e, no máximo, há uns 10 anos chegou ao Brasil. A recuperação é difícil, o índice de recaída é bem alto. É preciso o apoio familiar e força de vontade do paciente. Depois da internação, o paciente recebe avaliação, tratamento farmacológico (pra controlar a fissura), e psicoterápico individual, familiar ou em grupos, onde desenvolve habilidades e estratégias de enfrentamento e autocontrole em situações de risco, como festa onde há uso de drogas.



Kzuka – Existe um período ideal para internação?



Previdelli – Não há consenso sobre o período de internação ideal. Quem interna pela prefeitura fica somente 20 dias, um período curto. Por senso comum, se sabe que 30 dias é o mínimo. Depois da alta, nos prontificamos até 90 dias a acompanhar o paciente. Há fazendas terapêuticas em que se pode ficar até nove meses. O adolescente tem uma dificuldade natural da fase em que está em planejar o futuro. Se tu falares em nove meses, para ele, é a vida inteira... É difícil colocar um parâmetro. Tem quem saiu e nunca mais usou a droga.



Kzuka - Depois do tratamento, é possível voltar a viver normalmente?



Previdelli - Um paciente vai ser dependente químico pro resto da vida, mas em abstinência. Tem que seguir o tratamento,é uma batalha. Há chances de se tratar, claro. Mas tem que haver uma série de mudanças. Tem de mudar os grupos com que anda. O estudo é algo interessante de ser trabalhado, há um consenso na classe científica de que o estudo é uma das coisas que afasta das drogas. Não só faculdade ou colégio, mas o estudo por conhecimento. Falta muito informação pra gurizada. Eles não têm essa noção, é uma droga. O complicado do crack é que, por si só, ele pode matar, vai atacar o Sistema Nervoso Central, mas o que mais mata é o contexto.

Entrevistas com o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos sobre a epidemia do crack

Já faz algum tempo que admiro o trabalho do psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, desde que assisti, no site da ONG Brasil Sem Grades, a uma palestra sua, a qual inspirou parte do projeto São Gabriel Contra o Crime.

Hoje, procurando por números atualizados acerca dessa epidemia mortal, encontrei uma reportagem antiga mas ainda pertinente, do Jornal do Almoço, sobre o tema, que colaciono a seguir:



E também, a seguinte entrevista , com o citado médico, a qual transcrevo porque entendo muito relevante a todos que buscam entender a dinâmica do crack:
"Crack: uma epidemia que tomou conta do RS. Entrevista especial com Sérgio Ramos

Há quase 20 anos, Sérgio Ramos atende dependentes químicos. Com ampla experiência no assunto, vem sendo desafiado, nos últimos cinco anos, pela entrada do crack no Rio Grande do Sul. Assistiu ao crescimento do uso até se tornar no que chama hoje de epidemia do crack. “Em geral, todo dependente de droga, na cultura brasileira, começa com álcool. No entanto, o crack é uma droga tão anarquizante e ressonante que nós temos tido relatos de crianças, principalmente de favelas, que nunca experimentaram álcool na vida e vão direto para o crack”, relatou ele.

Dr. Sérgio nos revela como o crack, que origina da cocaína, age no corpo humano e por que ele torna os usuários dependentes de forma tão rápida. Além disso, Ramos fala como ele entrou no estado e quando foi considerado uma epidemia. “Nossas taxas de recuperação são baixas, em função de ser um problema novo e, por isso, ainda não desenvolvemos técnicas específicas. A grande jogada é a prevenção”, revelou.


Sérgio de Paula Ramos é doutor em Medicina, pela Universidade Federal de São Paulo, e especialista em em Dependência Química, Reutgers University, e em Psiquiatria, pelo Instituto Nacional de Previdência Social. Faz parte da Associação Brasileira de Psicanálise, da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre e da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas. É, atualmente, diretor do Serviço de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus

Confira a entrevista.


Como o crack age no corpo humano?

Sérgio Ramos – O crack é uma forma de cocaína, então precisamos entender como ela age no corpo humano. Sua preferência é pela ação neuroquímica (agindo no cérebro, portanto), como uma droga estimulante, trabalhando nos mecanismos cerebrais hormonais. Ao modificar o metabolismo cerebral, produz o efeito euforizante da droga. Quanto mais rápida for a sua absorção, mais será pronunciado o seu efeito e o poder dependógino. Temos a cocaína aspirada, a injetada, e a cocaína fumada, que no caso é o crack, a forma mais potente de todas.

Geralmente, o usuário de crack começa como e por quais motivos?

Sérgio Ramos – Em geral, todo dependente de droga, na cultura brasileira, começa com álcool. No entanto, o crack é uma droga tão anarquizante e ressonante que nós temos tido relatos de crianças, principalmente de favelas, que nunca experimentaram álcool na vida e vão direto para o crack. Isso ainda é uma coisa excepcional. A regra ainda é o adolescente que começa com a bebida alcoólica numa fase em que não tem “cérebro” ainda para decidir as coisas. Com alguma frequência, do álcool ele evolui para maconha, passa para a cocaína aspirada e, então, para o crack. Este percurso, conhecido com a escalada da droga, não acontece em todos os casos. De qualquer modo, é muito raro você conhecer um fumante de crack cuja primeira droga na vida não tenha sido o álcool. Dessa observação, redunda um fato importante: a possibilidade de prevenção.

Enquanto todos estão apavorados com a epidemia de crack, nos perguntando como evitá-la, precisamos saber que a melhor forma de prevenção é construir uma política responsável sobre o consumo de álcool. Ou seja, o desejável seria lutarmos pela erradicação do consumo de álcool de menores de idade. Esta seria uma forma muito produtiva de se prevenir o consumo de crack.

O que explica a expansão do número de usuários de crack no Rio Grande do Sul? O que está acontecendo no estado pode ser considerado uma epidemia?

Sérgio Ramos – O crack é barato, disponível e tem alto caráter dependógino. O cenário que estamos vendo aqui no Rio Grande do Sul já assistimos há algum tempo em São Paulo. Ele está se tornando uma realidade nacional por causa dessas peculiaridades, ou seja, é uma droga barata, disponível e torna rapidamente o usuário em dependente.

Sem dúvida, no Rio Grande do Sul, o crack assumiu um caráter epidêmico. Não tínhamos, há cinco, seis anos, seu consumo no estado e hoje temos uma explosão de usuários, o que pode caracterizar uma epidemia.

Onde o problema se concentra no Rio Grande do Sul?

Sérgio Ramos – O crack entrou no Rio Grande do Sul pela região serrana, especialmente por Caxias do Sul, há uns seis anos, depois se espalhou pelo estado e chegou a Porto Alegre já há uns quatro ou cinco anos. Precisamos reunir grandes esforços no sentido de tentar fazer um modelo de prevenção e, ao mesmo tempo, tratar os casos já identificados.


Para o senhor, que atende dependentes químicos, como o crack deixou de ser a droga dos pobres e passou a ser consumido também pelas elites?

Sérgio Ramos – A elite quando chega no crack já está “alterada” por anos de consumo de outras drogas. Mesmo uma pessoa de classe alta econômica, ao se envolver com cocaína, em pouco tempo está sem dinheiro para seu status social e, desta forma, busca uma droga com representação mais barata. É o que está acontecendo.

O senhor vê impacto do aumento do uso de crack sobre a violência no estado?

Sérgio Ramos – Total. A violência no estado, que já era fortemente associada a drogas, especialmente ao álcool, ganhou uma grande alavancagem com a chegada do crack. Este, como disse, é uma droga que facilmente torna o usuário dependente e gera uma necessidade de consumo a cada 30 minutos. Mesmo sendo barata, ela depaupera tanto o usuário, que gera a necessita do furto, do roubo, do furto qualificado, e assim por diante. O incremento de violência no estado está diretamente ligado à epidemia de crack, embora já fosse alto por causa do álcool.

Erradicar é muito difícil, combater lembra muito guerra. Devemos aprender que um incêndio se apaga na primeira fagulha e não quando o prédio já está em chamas. A primeira fagulha na história de um usuário de crack é o consumo indevido em tenra idade de bebidas alcoólicas. Estamos carentes – reafirmo – de uma política responsável sobre o álcool. O foco dessa política deveria ser a erradicação do consumo de bebida alcoólica por menor de idade.


É mesmo muito difícil recuperar um viciado em crack? Por quê?

Sérgio Ramos – É. Nossas taxas de recuperação são baixas, em função de ser um problema novo e, por isso, ainda não desenvolvemos técnicas específicas. A grande jogada é a prevenção. Eu, como coordenador da unidade de dependências química do Hospital Mãe de Deus, tenho tido acesso aos dependentes de crack da classe média e da classe alta. Agora que o Sistema de Saúde Mãe de Deus está inaugurando uma parceria público-privada com a prefeitura de Porto Alegre, nós abriremos três centros de assistência psicossocial especializados em álcool e drogas e também passaremos a atender pacientes da classe C e D. Os pacientes que, por enquanto, tenho tratado, das classes média e alta, têm o perfil totalmente alterado pela sua dependência química. O caso que tivemos recentemente aqui no estado, do rapaz que foi assassinado pela mãe, é um caso extremado de um panorama dramático que vemos cotidianamente em quadros clínicos de crack. Há mães querendo amarrar o filho na cama, pais desesperados; enfim, é uma situação verdadeiramente dramática.

A dependência de crack pode acontecer em qualquer família, basta que o rapaz ou a moça comece a usar droga. No entanto, temos encontrado maior presença do crack em famílias desajustadas e temos achado um denominador comum o fato de que as famílias que mais geram dependentes de crack são aquelas que têm comprometida a função paterna. São jovens, em geral, que não tiveram pai ou tiveram pai muito ausente ou omisso. Esse é um cenário onde o crack costuma aparecer.


Diante dessa situação, como o senhor se sente, como médico?Sérgio Ramos – Desafiado. Existe algo acontecendo: essa epidemia de crack, juntamente com a epidemia da febre amarela e a gripe suína. Ou seja, os médicos estão desafiados por novas realidades. E há uma grande convocação por parte da sociedade para o enfrentamento delas."

E também a seguinte entrevista publicada em Zero Hora, em 14 de abril de 2009:



Drogas - “É baixa a taxa de recuperação”


Zero Hora - RS - 14/04/09



"Com 35 anos de experiência, o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, defende a “erradicação do consumo de álcool entre adolescentes” como forma de combater a epidemia de crack.

– Nunca tratei um paciente, independentemente de crack, cocaína, maconha, que a primeira droga na vida dele não tenha sido álcool – diz, em entrevista concedida a ZH:

Zero Hora – O que representa uma mãe, desesperada, matar um filho?

Sérgio de Paula Ramos – É um marco. Tínhamos primeiro uma situação preocupante de consumo de álcool. Depois, que Porto Alegre era a capital brasileira onde os adolescentes mais consumiam maconha. Mais tarde, começou o uso de cocaína, ecstasy e surgiu o crack de forma avassaladora. Nós tínhamos a famosa foto da mãe algemando o seu filho no pé da cama. Agora, uma mãe matando seu filho por desespero. Vamos ter de decidir se ficamos debatendo o caso da mãe que matou o filho ou se pensamos o que está havendo com a nossa cidade, o nosso Estado, os nossos jovens.


ZH – O que que deve ser feito?

Ramos – Uma política responsável sobre álcool. Erradicar o consumo de bebida alcoólica por adolescentes. Devemos pegar como uma questão de honra de que, na minha cidade, menor de idade não bebe álcool.

ZH – Ele era dependente de crack. O que tem a ver o álcool?

Ramos – Pergunte para a família dele qual a primeira droga que ele ingeriu e com que idade. Fecho que é bebida alcoólica e com idade entre 12 anos e 15 anos. Com 35 anos de trabalho nesta área, nunca tratei um paciente, independentemente de crack, cocaína, maconha, que a primeira droga na vida dele não tenha sido álcool. Se você consegue adiar a iniciação ao álcool, reduz a taxa de alcoolismo e o envolvimento com outras drogas. Criaria um cenário urbano mais clean, menos droga. O segundo foco é a Lei Seca, cuja fiscalização deve ser retomada. Acho que poderá haver até um resgate da cidadania.

ZH – Por que uma coisa está encadeada na outra?

Ramos – Há muitas teorias para a escalada da droga. Existem pessoas que são atraídas parcialmente pelo desafio. O álcool me deu um barato, mas dizem que a maconha é melhor, então vou experimentar. Olha, o legal é a cocaína, o ecstasy, e acabam experimentando a cocaína. E, por fim, o crack.

ZH – Como o senhor avalia as políticas públicas no Estado voltadas ao combate dessa epidemia?

Ramos – Inexistem. Tenho assistido a tímidas iniciativas e a muito discurso. Você não consegue resolver uma epidemia de crack criando 500, 600, mil leitos. Os tratamentos para dependentes de crack graves são pouco eficazes e ninguém tem dinheiro para abrir tanto leito. Você tem de segurar o touro pelo chifre muito antes do crack entrar em cena.

ZH – O senhor conhece alguém que tenha se recuperado do vício do crack?

Ramos – Há dois anos, eu falei que não tinha recuperado ninguém. Hoje, recuperei uma meia dúzia. Mas é baixa a taxa de recuperação. É uma dependência química muito suscetível a recaídas."

terça-feira, 25 de maio de 2010

O EIXO DA "PREVENÇÃO" EM AÇÃO



E põe ação nisso! Eram vários guris correndo pelo gramado da sede campestre do Clube Caixeiral, num torneio organizado entre as diversas escolinhas existentes no Município e que têm como público-alvo crianças carentes e, por isso, em situação de vulnerabilidade.
Nem sei se organizadores do torneio tem a noção da importância do que estão fazendo, mas ter conhecido aquelas pessoas naquele domingo frio, em que aquelas crianças sentiam-se felizes por poderem participar de um torneio esportivo e, ainda, receberem uma refeição e um refrigerante grátis, foi para mim um presente.


Cada sorriso de cada criança era um diamante.





E os responsáveis pela cozinha, também felizes com sua importante colaboração.






Mas a 'sensação' mesmo era a turminha do futebol, que ostentavam orgulhosos a camiseta dos seus times, e estavam ali, naquele dia, orgulhosos por sua participação no torneio.



Naquele dia, durante aquelas horas, aquelas crianças, tão acostumadas à vulnerabilidade social, tão próximas da violência cotidiana, tão vizinhas do crack, estavam abrigadas pelo esporte, nas mãos daquelas pessoas que se doaram, voluntariamente, para fazer a diferença na vida delas.
Exemplos como esses merecem ser divulgados, replicados, apoiados.
Porque são o alicerce da prevenção ao uso de drogas, em especial o crack, a droga mortal que tem ingressado em todos os lares, indistintamente.
Fica aqui o meu apreço, minha homenagem a todos que se envolvem anonimamente no resgate dessas crianças, que são o futuro da nossa cidade de São Gabriel.

sábado, 22 de maio de 2010

UM PRESÍDIO QUE TEM TUDO PARA "RECOMEÇAR" - a história da reforma, ou "o antes e o depois"






No último post em  que falei no Presídio Estadual de São Gabriel e no Projeto Recomeçar, postei umas fotos bem impactantes, do estado em que se encontrava a casa prisional.
Pois agora vou postar as fotos que mostram parte do resultado do Projeto Recomeçar, que só obteve êxito porque a comunidade gabrielense apoiou o projeto, permitindo assim que tivéssemos êxito em nossos pleitos junto aos empresários locais (na hora de formalizar os PAC ou obter recursos para as reformas).
O PROJETO RECOMEÇAR, que foi idealizado pelo Magistrado titular da Vara de Execuções Criminais de São Gabriel (e cujo teor, na íntegra, consta do post http://saogabrielcontraocrime.blogspot.com/2009/12/projeto-recomecar.html), mas só obteve seu brilhante êxito porque contou com o apoio de diversos segmentos da sociedade, dentre os quais destaco as empresas Urbano e Vanhove (que ofertaram vagas de emprego aos apenados locais), a  OAB/RS - seccional SG, a atual Administração do PESG, a Defensoria Pública, o Poder Executivo Municipal e, por fim, o Ministério Público.
Há que se dizer que o Projeto, capitaneado pelo Dr. José Pedro, estava destinado ao sucesso, pois sua têmpera não deixaria fracassar algo de tamanha importância. No entanto, é de se repisar que as parcerias foram e são fundamentais, não só nesse mas em qualquer proposta para  ver transformada nossa realidade - máxime em temas tão agrestes como o sistema prisional.
E o Ministério Público foi parceiro, apoiando o projeto desde seu início, e buscará dar continuidade ao PROJETO RECOMEÇAR com a remoção do Dr. José Pedro para a Comarca de Alvorada, porque esse é um propósito comum.
Aliás, quando idealizado o "São Gabriel Contra o Crime", já havia um capítulo específico destinado à questão dos apenados, em que se pretendia: "Encaminhar ao Juízo da VEC, Diretor do Presídio local, Conselho da Comunidade e Prefeitura Municipal sugestão de trabalho no sentido de criar o Programa de Assistência ao Egresso e Apenado", baseado no argumento de que "Outro ponto de abordagem diz com os apenados locais. Sabidamente, as drogas e os comportamentos anti-sociais possuem relação, o que enseja a necessidade de operacionalizar algo semelhante ao Programa de Assistência ao Egresso e ao Apenado - Pró Egresso existente no Estado do Paraná(http://www.pec.uem.br/pro-egresso/index.htm ) a fim de que se possibilite a quebra do ciclo de reprodução deste tipo de comportamento através da educação e assistência durante a ressocialização do preso. Em uma estratégia de mão dupla, os apenados deverão ser esclarecidos quanto ao sentido retributivo da sanção imposta, bem como deverão ser reforçadas na Comarca as fiscalizações pelo bom andamento das execuções criminais e aplicações das devidas reprimendas por fatos desabonatórios à disciplina prisional.

Mas o Dr. José Pedro foi além.

O PROJETO RECOMEÇAR mobilizou a comunidade e conseguiu recursos para a reforma do Albergue onde cumprem pena os presos dos regime aberto e semiaberto. As fotos falam por si.



REFORMA DO ALBERGUE
camas - ANTES
sanitários - ANTES


DURANTE A REFORMA:
sanitários - DEPOIS
pia - DEPOIS
camas e armários - DEPOIS


HOuve a construção de uma sala de aula no interior do PESG.

A SALA DE AULA


ANTES (na verdade, antes do Projeto Recomeçar, o "antes" era nada, porque não havia aula no PESG)
Mas no início, era uma lousa adaptada no refeitório, o qual se encontrava inativo.

DURANTE - começaram as reformas da sala que seria destinada às aulas


DEPOIS


O dia da inauguração, todos os parceiros presentes


Grande parte das cadeiras, doadas pelo Sindicato Rural de São Gabriel, e a TV e o DVD doados pela OAB


Os demais recursos para a reforma da sala de aula e também do albergue foram oriundos das transações penais realizadas no Juizado Especial Criminal de São Gabriel, além de doações de empresários locais.






Houve, ainda, a criação de uma biblioteca, que já conta com mais de 1.300 volumes doados pela comunidade, sendo que os primeiros volumes foram doados pelo próprio Dr. José Pedro e também pela Dra. Márcia Barrili, Juíza do Trabalho, apoiadora do projeto.


(na foto além do Dr. José Pedro e eu, a Dra. Wandira Chaves, Defensora Pública, também parceira do projeto)

Também o parlatório foi inteiramente reformado, recebendo nova pintura, cadeiras e, principalmente, novos interfones que agora possibilitam a comunicação entre os apenados e seus defensores. Essa foi uma valiosa contribuição prestada pela seccional local da OAB/RS.





sábado, 15 de maio de 2010

A 'Operação FORÇA-TAREFA' novamente nas ruas de São Gabriel

Ao completar um ano da idealização do projeto São Gabriel Contra o Crime, em que tantas coisas foram feitas (nem tudo o que almejava, mas o projeto segue a todo fôlego, com novas etapas a serem implementadas), posso dizer que a 'OPERAÇÃO FORÇA-TAREFA' foi um marco importantíssimo, que deu visibilidade ao trabalho desenvolvido em parceria pela Brigada Militar, Polícia Civil e Ministério Público em São Gabriel.


(crédito desta foto: Cleber Giovani)
http://cenariodenoticias.blogspot.com/2010/05/sao-gabriel-contra-o-crime-realiza-nova.html#links


Uma soma de esforços das três instituições, no intuito de trazer um pouco mais de segurança à nossa comunidade gabrielense.



O Conselho Tutelar
 tem participado de quase todas as operações, no sentido de proteger eventuais crianças ou adolescentes que se encontrem em situação de risco



As ações são voltadas a locais onde há grande número de registros de crimes em seu entorno, no intuito de, com a atuação preventiva, coibir a reiteração dos crimes.

O saldo é positivo, os cidadãos de bem sentem-se guarnecidos com essa ostensividade da segurança pública nas ruas da cidade. Não raro, na semana seguinte à operação ostensiva, os moradores dos bairros onde ingressou a caravana dirigem-se à Promotoria de Justiça Criminal para denunciar pontos de tráfico em suas comunidades. Fazem isso porque sentem-se amparados pelas autoridades que têm o dever de combater o crime.





Por fim, um agradecimento muito especial à Cris (na foto, abaixo), Assessora de Comunicação da Associação do Ministério Publico do Rio Grande do Sul - AMPRS, e à toda equipe que acompanhou a operação da FORÇA-TAREFA nessa madrugada do dia 07 de maio, realizando a maioria das fotos aqui postadas, além das filmagens.
Nem o frio nos desanimou. A paixão pelo nosso trabalho aquecia a nossa alma.