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quarta-feira, 27 de abril de 2011

USO, ABUSO E DEPENDÊNCIA DE DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS: UM GRAVE PROBLEMA DE EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO - Prof. Dr. José Jackson Coelho Sampaio

Devidamente autorizada pelo Prof. Dr. José Jackson Coelho Sampaio, que gentilmente me enviou, por email, cópia da palestra por ele proferida por ocasião da abertura da Reunião do GNDH em João Pessoa, no dia 14 de abril de 2011, publico, abaixo, integralmente, a referida palestra.
Como já disse anteriormente, poucas vezes ouvi ou li palavras tão apropriadas para um tema tão desafiador.
Deleitem-se:



USO, ABUSO E DEPENDÊNCIA DE DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS: UM GRAVE PROBLEMA DE EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO.

Prof. Dr. José Jackson Coelho Sampaio



1. Três Histórias Exemplares.

O Vinho no Mundo Antigo e na Idade Média:

Nas cavernas pré-históricas, no degelo das primaveras, quanta fruta ou grão apodreceu e fermentou em pequenas poças no fundo das cavernas, mas, antes mesmo que a água fluísse pelos riachos, após serem quebradas as crostas de gelo, alguém provou o líquido das poças e, mesmo repugnando o gosto, apaziguou a sede, sentiu estranha alegria, uma tontura exaltada, luzes na escuridão, e pode ter associado a experiência com o que fora bebido.

O fenômeno e a experiência dele decorrente eram ocasionais e não necessariamente associáveis; uns não gostaram; outros gostaram, mas logo esqueceram; poucos ficaram atrás de novas provas e, obcecados, foram surpreendidos pelos predadores; além disso, por milênios, ninguém conseguiu reproduzir, artificial e sistematicamente, o fenômeno.

Nestes milênios descobriu-se a vinha, a possibilidade de plantar vinha, a técnica para tirar vinho da vinha e até São Martinho, quase 400 anos depois de Cristo, contribuiu para o processo ao perceber como a vinha melhorava depois de ser mastigada, espontaneamente podada, pelo seu burro de estimação.

Nos mosteiros e nas famílias, em fainas diárias e submissas aos caprichos de ventos, chuvas e mudanças do clima, com a técnica dos barris de uvas pisadas, produzia-se vinho para o consumo dos senhores da terra, excedente para um pequeno comércio e outro para uso do próprio produtor.

A liberdade dos nobres para ócio e hedonismo os predispunha à repetição, daí o risco de embriaguez e vício. Aos camponeses sobrava a menor quantidade, a pior qualidade e a proibição do prazer. A técnica disponível resultava em produção restrita e sem circulação significativa fora de cada gleba. O forte sistema de crenças gerava proibição e culpa lancinante pelo uso.

Entre os ricos, pela facilidade do excesso, e entre os pobres, pela sedação da vida árdua e culpada, surgem os bêbados na paisagem social da Idade Média, herdeiros de Noé, concebidos como vítimas das fraquezas morais e do assédio dos demônios, incompetentes para restringir o uso do vinho aos dias de festa e à transubstanciação das missas.

A Cachaça no Brasil Colônia:

Em cada lugar, de acordo com as disponibilidades e a abundância das fontes alimentares e energéticas, também de acordo com as tecnologias dominadas, saímos da fermentação para a destilação e das técnicas artesanais para as mecânicas, gerando cada vez mais excedentes, para o uso e as trocas comerciais, interregionais e internacionais.

No centro do capitalismo mercantil colonial, nasce o Brasil em berço de madeira e de cana de açúcar, com as potências européias brigando por posse de terra, conquista de espíritos em nome da glória de suas crenças, tinta destinada à indústria têxtil e açúcar para universalizar novo padrão de gosto.

Saiam armas da Europa para a África, onde eram vendidas em troca de escravos. Saiam escravos da África para o Brasil, onde eram vendidos em troca de açúcar. Então, saia açúcar do Brasil para a mesa européia, finalizando uma acumulação lucrativa que alimentava o hedonismo das cortes, nova escala de concentração de poder e novas armas para que a África sangrasse.

No canavial brasileiro, para o comércio rural-urbano e interregional, ficava a rapadura e a cachaça. A cachaça, fonte calórica vazia, oferecia ao homem a impressão de estar sem fome, a proteção contra o frio das madrugadas, a força para enfrentar o violento trabalho dos dias e, finalmente, o colapso noturno de um sono pesado.

A tecnologia industrial produz volumosos excedentes, que precisam ser transformados em lucro, portanto consumidos. O produto é fantástico, pois verdadeiramente multiuso - dá lucro e poder aos proprietários, e nutre, protege, fortalece e força o sono dos trabalhadores, depois do eito. Assim, cria-se uma ciranda de justificativas, de pretextos e de desculpas: beber cachaça fica sinônimo de ser adulto, de ser viril e de ter corpo fechado contra as intempéries e as doenças, pois para tudo a cachaça há de servir.

A tecnologia é industrial, a população ampliou, a circulação dos produtos tornou-se intercontinental, o consumo massificou-se para dar conta da nova escala de excedentes e os bêbados, lixos humanos, passam a ser multidão. Então o Estado, iniciando políticas sociais públicas, usa a bebedeira geral como pretexto para oferecer ou recusar direitos, ambiguamente.

O Crack das Vastas Periferias:

Quanto mais desenvolvimento político e econômico, social e técnico, mesmo numa cultura de exploração do trabalho de muitos para o usofruto de poucos, mais se necessita de tempo de estudo para o domínio das tecnologias.

Se o século XIX exigiu infância e o século XX exigiu infância e adolescência, o século XXI exigirá infância, adolescência e adulto jovem para o domínio de profissões, estratégias de autocuidado para vida longeva, estratégias sociais para o domínio da experiência humana no mundo e uma cidadania ética em meio às tensões entre prazer, riqueza e poder.

As novas e ampliadas elites exigem muito mais tempo para a formação, o trabalho e o consumo, esta dimensão produtiva que, agora, dá sentido a todo o processo produtivo (produção > distribuição > consumo) e serve de porta de entrada à cidadania contemporânea, reformulando até o papel dos excluídos.

Superando certa utopia de união dos trabalhadores, percebe-se uma reconfiguração das lutas político-econômicas na sociedade, com a aliança de patrões e empregados de um setor econômico disputando renda e poder com a mesma aliança em outro setor. Também se percebe a redistribuição global das antigas classes, agora opondo países: agrários, industriais e financeiros, centrais e periféricos – daí a concentração do comportamento elite em uns, do servil em outros e do puritano-produtivista em mais outros.

Os norte-americanos descobriram, então, depois do baby boom ao fim da 2ª guerra mundial, seus jovens, tardo-adolescentes, abastados e individualistas, consumindo a heroína, a cocaína e a maconha produzidas na periferia pouco virtuosa do mundo.

E, evidentemente, os jovens gringos não seriam responsáveis pelo próprio comportamento, nem a sociedade norte-americana, mas, sim, asiáticos e sul-americanos inescrupulosos, violadores da consciência dos meninos ingênuos. Certos de serem o novo povo eleito do destino manifesto, os Estados Unidos arregimentam vastos poderes bélicos para intervenções na Turquia, Afeganistão e Colômbia, por exemplo, obtendo nestes paises, como conseqüência, o surgimento de negócios organizados em escala global, apoiados em forças paramilitares, além de despertarem o empreendedorismo anglo-saxão para um novo cluster de negócios: as drogas sintéticas, geradas em laboratórios, frutos do trabalho de pesquisa de cientistas.

Se a humanidade gosta de droga, o comportamento hedonista se tornou massificado, a lógica do consumo foi expandida e tornou-se produtora de sentido, a competência técnica multiplica por zilhões a capacidade de produzir qualquer mercadoria, a escala de lucro tornou-se estratosférica, os novos jovens têm hábitos urbanos e afeitos a produtos industrial-sintéticos e lhes foi dito que remédios os salvam da dor, da infelicidade e da morte, então, destinam-se ao LSD da Era de Aquarius, ao ecstasy das baladas, à cocaína branca dos salões, sobrando para as periferias o barato do crack barato.

Na economia da dependência química, os empresários marginais, como máfias, dividem territórios. Assim, áreas de maior poder aquisitivo de cidades e cidades inteiras mais ricas, como São Paulo, podem ser bloqueadas para a cocaína, por exemplo, e outras regiões tornam-se pasta de crack, com seu cortejo de zumbis, pelas calçadas.

Esses marginalizados, depois de alimentarem a ciência, a indústria e o comércio das drogas, devem alimentar novo circuito de preconceitos – pois fracassados, fracos, degenerados – e o comércio milionário de um novo tipo de asilo. E todas as ações são defendidas não pelos eventuais próprios méritos, mas pelo efeito higiênico e estético de “tirarem drogados das ruas”.



2. Processo biológico-psicológico-social do uso e do abuso de drogas e da dependência química.

O uso e o abuso de drogas e a dependência química são fenômenos humanos, mutáveis com a história humana. As teorias que pretendem dar conta da compreensão desses fenômenos, tanto quanto as práticas de prevenção, de mitigação, de tratamento e de recuperação, também são mutáveis com a história humana.

A essa altura do nosso desenvolvimento, com as experiências de Neurologia, Psicopatologia, Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise, o que podemos dizer sobre tais fenômenos, além de identificá-los como constituintes de um processo dinâmico, interdependente, radicalmente humano?

E como sempre é necessário algum passeio por palavras, expressões e o estatuto social de suas circulações. O modelo biomédico prefere usar “substância psicoativa”, incluindo no tecnoleto uma assepsia e uma impessoalidade da expressão. A palavra “droga” tem forte trajetória histórica, abarca desde o chocolate ao haxixe, e povoa o senso comum com sua carga de aversão moral. A tríade “tóxico”, “narcótico” e “entorpecente”, carregada de opróbrio, é a predileta do jornalismo policial, das delegacias de polícia e do meio jurídico. Isto é, fatual e simbolicamente, “substância”, “droga” e “tóxico” dizem coisas diferentes.

Pelos jornais, pelos dicionários e pela literatura científica também podemos rastrear “vício”, “dependência”, “adicção”. Se “vício” revoluteia por senso comum, mídia de massa, delegacias de polícia, com forte carga de rejeição e condenação moral; “dependência” é nome técnico, biomédico, restrito aos processos e efeitos biológicos da relação de usuários com objetos concretos; e “adicção” agrega estatuto filosófico e psicanalítico para designar todos os processos e efeitos psicossociais da relação de usuários com objetos concretos e simbólicos, ampliando o conceito de “dependência psicológica”.

Porém, com base em autores como Alfredo Moffatt (“Teoria Temporal do Psiquismo”), Antônio Lancetti (“Clínica Peripatética”), Claude Olievenstein (“Não Existem Drogados Felizes”), Eduardo Kalina (“Drogadicção”), Umberto Galimberti (“Os Mitos do Nosso Tempo”), disponho-me agora a identificar três dimensões da problemática que envolve o consumo de substância/droga/tóxico: a) psicodinâmica do uso, do abuso e da dependência; b) natureza e escolha do objeto; e c) consequências da exposição ao objeto.

O ser humano constitui sistema aberto, que introjeta alimentos e estímulos, elabora internamente estes alimentos e estímulos, usa alguns resultados desta elaboração para sua sobrevivência física e psicossocial, por fim despreza no meio resíduos supostamente inúteis do processo de elaboração e uso.

Esse esquema, grosso modo, dá conta da ingesta de pão, a produção de energia para o trabalho e o lançamento de dejetos em vaso sanitário, tanto quanto dá conta da acolhida infantil do amor materno, a disponibilidade para o comportamento afetivo e solidário na vida adulta e a projeção neurótica da função materna nas mulheres pelas quais um homem se apaixona.

Como é esquema e é grosso modo, não tem missão explicativa de cada caso concreto, singular, servindo apenas para afirmarmos a tese do sistema aberto - in put, through put, out put – escancarado ao mundo, carente do mundo. Somos, portanto, movidos pelo que captamos e pelo que somos expostos, querendo ou não, daí podermos usar, perdermos limites, abusar e nos tornar dependentes, biológica, psicológica ou biopsicologicamente de, literalmente, qualquer coisa.

Os gregos clássicos desenvolveram o conceito de Pharmakon, no qual toda substância é veneno e remédio, dependendo da dose e da condição do medicado. Por isso, como diz a canção popular, o que dá para rir, dá para chorar, questão só de peso e de medida, questão só de tempo e de lugar.

A Neurologia moderna nos fala dos diques de liberação e de retenção que se organizam no sistema nervoso central, provendo centros de saciedade específicos e inespecíficos. Temos sede, bebemos e paramos de beber pelo reconhecimento de que o equilíbrio hídrico foi restabelecido no organismo. Temos fome, comemos e uma sensação difusa de satisfação nos informa que a fome foi superada. E assim por diante. Sem estes dispositivos, seríamos peneira de palha, cano sem tampa, filtro inútil.

Mas, o que caracteriza esses alimentos e estímulos? Aqui nos deparamos com a dimensão da natureza do objeto e a construção histórica das escolhas. As dialéticas, aristotélica, hegeliana ou marxista, nos dizem da relação de movimento e contradição entre casualidade e necessidade. Na vida prática não ocorre o totalmente casual e o totalmente necessário, portanto, no ser humano, em quem o social submete e determina o orgânico e o orgânico submete e determina o inorgânico, não ocorrer o totalmente psicológico e o totalmente biológico.

Deste modo, o objeto (alimento, estímulo) pode ser dominantemente concreto (chocolate, cachaça, tabaco, açúcar, cocaína, cirurgias estéticas, moderadores de apetite, diazepam etc) ou dominantemente simbólico (trabalho, sexo, exercício físico, videogame, ideologia política, religião etc). Temos legião de chocólatras, alcoólatras, tabagistas, cocainômanos, workaholics, sexólatras, fanáticos religiosos e legião de novos abusos e dependências em busca de nome, rótulo, explicação ou estigma.

A partir do concreto, sobre base fisiológica, adaptações, defesas superativas e defesas frustradas são convocadas. A partir do simbólico, sobre base psicológica, depósitos de substâncias, alterações de sítios de ocupação ou metabolismos incompletos são convocados. E tudo com momentos de relação entre história individual e história coletiva que determinam as narrativas plenas de significados atribuídos às nossas experiências, por nós mesmos, por nossas famílias, pelos colegas da escola ou do trabalho, pelas autoridades, pela mídia. Tais narrativas nos conformam.

Focados nos ideais de consumo; formulando prazer, fama e juventude como ideais de ego; propondo coisas (drágeas, injeções, cirurgias, propriedades, dinheiro etc) como solução universal para desconfortos, frustrações, infelicidades, dores e o peso do inelutável passar do tempo rumo à morte; chegamos à composição de um perfeito modelo químico de vida. Para o bem ou para o mal, será na química que nos esbaldaremos. Se doril faz a dorzinha sumir, para uma dor maior ou o medo de ter dor ou o medo de ter medo, qual doril tomaremos?

Para camponeses pobres e analfabetos do altiplano boliviano, vivendo a experiência humana no trabalho árduo, de sol nascente a poente, respirando ar rarefeito de oxigênio, a folha mascada da coca disponível em abundância naquelas montanhas áridas será o lenitivo sedante. Para adolescentes ricos e escolarizados das cidades norte-americanas, vivendo a experiência humana em condições de individualismo e liberação permissiva, respirando publicidade, coca-cola e hamburgers, o sintético ecstazy em abundância será o estimulador do prazer e do jogo de alterações perceptivas.

E, num certo momento, perco o controle e deixo de ser sujeito para tornar-me coisa. Se comia, bebia ou fumava para viver, agora vivo para comer, beber ou fumar. Até perder a consciência das saciedades e, obcecado, atingir o ápice das formas de alienação: a coisa captura habilidades e sentidos humanos, o humano é tragado pela coisa, coisificando-se no pico e no pó.

Existem objetos que instauram dependência psicológica, com subsidiárias alterações fisiológicas. A saída envolve, basicamente, psicoterapia e reconstrução dos scripts, das narrativas e dos significados de vida. Existem outros objetos que instauram dependência física, com subsidiárias alterações psicológicas. A saída envolve a desintoxicação e a tolerância da dor da abstinência, diretamente, ou mediada por estratégias de redução de danos. Cada caso é um caso. Não há panacéia, ou milagre.

Nas sociedades atuais, urbanas, de massa, o abuso de drogas e a dependência química tornaram-se um emergente biopsicossocial que ultrapassa as fronteiras de renda, escolaridade, confissão religiosa, raça, credo político e classe social. A partir de narrativas e de objetos diferentes, a extensão do problema é muito grande, exigindo cuidado na elaboração da solução, para que não represente uma nova caça às bruxas, outro grande asilamento ou a metástase de gigolôs da tragédia, em meio a negócios, negociantes, moralistas e políticos populistas.

É da tradição popular a expressão “vender o peixe”. E ela tem respaldo na história dos povos que realizavam suas trocas, mas sob explicações místico-religiosas. Então os alimentos podem ser fortes ou fracos, reimosos ou não reimosos, puros ou impuros. E de qual pureza estamos falando? A sanitária, das limpezas e asseios, ou a moral, das virtudes?

Se em meio a mares salgados e pequenos rios salobras, fartava-me de peixe de escama e havia sobra para as trocas comerciais, como permitir que os povos das planícies de aluvião, pescadores de peixe de couro e criadores de porcos ocupassem meu mercado? Então peixe de escama passa a ser bom, saudável, puro, virtuoso. Peixe de couro e carne de porco passa a ser ruim, pestilencial, pecaminosa, suporte à vara dos demônios.

A cada momento histórico, em acordo com o jogo dominante dos interesses e das idéias que legitimam os interesses - expressões cambiantes e vagas e indiretas e não lineares destes jogos político-econômicos - nós criamos categorias explicativas que vão operar em vários níveis: das crenças, no quotidiano social, até as leis, passando pela mão invisível dos mercados.

Antes da identificação dos efeitos negativos, individuais e coletivos, do uso das bebidas alcoólicas - absenteísmo no trabalho, cirrose, câncer etc -, montou-se poderosa máquina de negócios, lucro, propaganda, e grande parte da população habituou-se ao uso próprio e dos outros, criando defesas contra os excessos, então o processo de produção, distribuição e consumo do álcool foi assumido socialmente como tolerável e legal, tornando-se lícito. Deste modo, a nova droga, que chega agora para a experiência humana, sem rito defensivo, sem adaptação biológica, mas garanta lucro extraordinário nos circuitos marginais da economia, torna-se ilícita.

Porém, esse também é um modelo geral. Para cada caso é preciso reconstruir a história, os efeitos no corpo e os valores atribuídos: seja a moda de absinto na França e de ópio na China, ambos no século XIX; seja o haxixe como presente da deusa Shiva, na Índia, ou ferramenta para êxtase místico dos derviches árabes, ou mediador das rebeliões homicidas dos seguidores do Velho da Montanha; seja a diamba, no século XX, consumida nas ruas e praças do Maranhão, por exemplo, nos anos 50 e 60, ou a marijuana dos hippies nos anos 60 e 70, e que não produziam a categoria social do maconheiro, ou a maconha de hoje, alterada, prensada, envolvida em químicos para iludir cães farejadores.

Desta discussão podemos deduzir que as várias drogas geram impactos pelo seu abuso, não pelo enquadramento legal, fortuito, em lícita ou ilícita. A compreensão dos processos e a formulação de saídas para os problemas devem, inclusive, questionar estes rótulos.



3. É possível uma política pública referente ao uso e ao abuso de drogas e à dependência química? Se possível, qual seria sua lógica organizacional?

Pelo que disse até agora, a determinação da escolha, a dinâmica da produção do abuso, o processo de instalação da dependência, a construção individual de defesas, a construção cultural de ritos de contenção, a acessibilidade e a disponibilidade econômica dos agentes, constituem emaranhado de extrema complexidade, com velozes deslizamentos de significados e legitimações, sobretudo em sociedade tecnológica, fundamentada no consumo.

Vejamos a situação contemporânea do Brasil, país exposto a um crescimento econômico significativo, que o coloca entre os 10 mais ricos do mundo, emplacando um milionário individual entre os 10 mais, porém incapaz de colocar uma única universidade entre as 150 melhores do mundo. Este Brasil, que nos últimos 60 anos passou de 70% rural para 70% urbano, apresenta indicadores monstruosos de iniqüidade social, miséria, desemprego, analfabetismo e degradação ambiental, mas tem os melhores textos legais de políticas de saúde, seguridade social, suporte ao trabalho e proteção ecológica.

Vivemos, realmente, grandes contradições: a experiência democrática é de apenas 46 anos (1945-1964 e 1985-2011), mas, por ser recente e truncada ao meio por uma ditadura militar, superficial e frustra, ainda não criou uma cultura democrática no Estado, na Sociedade e no Mercado; também, por fetichizar política eleitoral, criamos icônicos tsunamis de eleições a cada dois anos, mudando a configuração da hegemonia política a cada dois anos, refazendo bases legislativas de apoio ao executivo a cada dois anos, descontinuando planos e programas, sobrando pedaços de projetos no vácuo das boas intenções.

Vivemos, realmente, grandes contradições: a maioria das nossas ações é de curto prazo, sob a égide do marketing, sem fôlego no financiamento, na execução, no acompanhamento e na avaliação, mas são chamadas de políticas; e estas ações são duplicadas, em cada poder da república e em cada segmento administrativo de cada poder, mas são chamadas de integrais e intersetoriais.

O problema da dependência química, como se configura clinica e epidemiologicamente nas cidades e nos campos do Brasil – nos campos, sim, pois crescem os registros de motoqueiros, nas estradas tortuosas e secas do sertão nordestino, roubando os aposentados do FUNRURAL, para, com o resultado, adquirirem crack – constitui, simultaneamente, um problema de Saúde, de Educação, de Cultura, de Economia, de Segurança e de Polícia, exigindo, de modo radical, políticas integradas e ações cooperadas.

Porém os planos se esgotam no diagnóstico. Os projetos se esgotam na retórica da formulação e no imediatismo fácil da resposta emocional, sintonizado com o último levantamento de opinião pública e enquanto dura o interesse da mídia de massa. A ênfase também muda, dependendo do protagonismo de algum ator de ocasião. Se o protagonista é do campo da Saúde, chama-se todo o processo de compreensão e de solução para este campo, pois os demais seriam insuficientes, secundários ou incompetentes. Se o protagonista é da Educação, lá se vai o conjunto dos investimentos simbólicos, acompanhados de algum investimento financeiro, para este campo, como explicação e solução. E assim por diante.

A ciranda do desespero social, sobretudo quando atinge as classes médias urbanas, leva à ciranda dos políticos a resolverem toda e qualquer coisa com audiências públicas cenográficas, à cirando dos legisladores a formularem mais uma lei com imensa dificuldade de pegar no concreto e oferecer resultados, à ciranda dos intelectuais a formularem teorias pontuais com imensa possibilidade de apenas gerarem papers e consultorias. A ciranda dos interesses econômicos, lícitos ou ilícitos, inaugura novos objetos para a catexe dos vazios existenciais, o que leva à moda das drogas de uso, à moda de pesquisas, à moda de metáforas a ilustrarem de boas intenções os marketings institucionais e as novelas de TV. Hoje, então, neste passo, em pouco tempo, o Brasil será uma imensa Cracolândia.

As possibilidades de adicção a objetos simbólicos, e de enfrentamento dos problemas subseqüentes, resultam de vastos, genéricos e abstratos processos sociais, na fonte das características de nosso modelo civilizatório, do modo de produção das condições de existência (a forma pela qual cada sistema social se expressa para produzir e distribuir riqueza) e do modo de produção de verdades (a forma pela qual cada sistema social se expressa para produzir e distribuir saberes, ideologias, teorias filosóficas e científicas).

A educação filosófica, a pactuação de uma ética pública, a regulação do mercado por um estado democrático e o desenvolvimento de uma cultura humanística solidária parecem ser os caminhos que podem nos levar para fora da crise de valores, de relações e de papéis que vivemos.

Mas, as possibilidades de adicção a objetos concretos, e de enfrentamento dos problemas subseqüentes, resultam de processos mais identificáveis objetivamente, com recortes, diagnósticos, terapêuticas e prognósticos operacionalizáveis. Os campos da Educação, dos Formuladores de Códigos e Leis, dos Operadores de Códigos e Leis e da Saúde devem constituir uma vigorosa parceria interdependente, para a criação e a execução de uma política de Estado, não de Governo ou de Partido.

Na Educação, é preciso superar os parâmetros do Período Napoleônico, que considerava responsabilidade do Estado oferecer quatro anos de escolaridade, cujo projeto político pedagógico estabelecia o domínio mínimo das quatro operações fundamentais da Matemática e da capacidade mais simples de comunicação pela escrita e pela leitura na própria língua. Hoje, precisamos dominar os avanços da Matemática, além de compreender o que se escreve e o que se lê na própria língua, em língua de prática universal e em língua da informática. Precisa-se, portanto, de pelo menos 10 anos de escolaridade em escola tempo integral, aparelhada por esporte, arte, formação para a cidadania e a longevidade, a saúde e a qualidade de vida.

Os Formuladores de Códigos e Leis estão desafiados à humildade e à eficiência, pois os documentos não passam de intenções geradoras de ansiedade, frustração e sentimentos de impunidade, se não acompanhados de condições concretas de aplicação, se não contemplarem o complexo processo histórico daquilo que se quer prevenir/controlar/combater, se não resultarem em pactos sociais abrangentes, se não criarem uma consciência consensuada entre os operadores/aplicadores. Mais uma lei que não pega aprofunda a heteronomia social, confunde a cidadania, engendra a proliferação de oportunistas entre operadores/aplicadores e é tragada pela má consciência de quem tira vantagem da universalização das águas turvas.

Os Operadores de Códigos e Leis estão desafiados à competência técnica, à densidade humanística das atitudes e à honestidade. Pois, como enfrentar os negócios do tráfico de drogas e do tráfico de armas, seu correlato, se parte do sistema policial, por exemplo, mal formada, mal paga, apenas engrenagem de uma corrente burocrática e autoritária, se corrompe e apóia a contravenção? Como implantar uma reforma educacional, legal e sanitária se este elo se rompe, se quebra e, como metástase, se associa ao crime?

O campo da Saúde tem dupla e, muitas vezes, contraditória tarefa. A Educação, a Promoção, a Prevenção e a Vigilância, na atenção primária, vinculam-se às comunidades e às famílias, portanto, estrategicamente, à Educação, por meio de projetos coletivos, na tarefa de impedir que o dano se instale. A Assistência, ambulatorial, emergencial, urgencial e hospitalar, nas atenções secundária e terciária, vinculam-se aos indivíduos, por meio de projetos terapêuticos, para a redução de danos e o cuidado reparador. Mas as ações não são concatenadas e planejadas, pairando o imediatismo, o subdimensionamento dos serviços e a precariedade.

A título de exemplo, analisemos alguns dados de Fortaleza, uma metrópole de 2.500.000 habitantes, pelo menos 500.000 deles abaixo da linha de pobreza, apenas a metade dos domicílios ligados a sistema de esgotamento sanitário, e que se encontra em 29º lugar no ranking do IDH das 33 regiões metropolitanas brasileiras.

Fortaleza é capital de um estado que fica em 17º lugar no ranking da distribuição de matrícula no ensino superior das 27 unidades da federação, com analfabetismo por volta de 12% da população acima de 15 anos, apresentando 31 casos de mortalidade infantil por mil nascidos vivos (quase o dobro da média brasileira) e 16 mortes por causas externas a cada 100 mil habitantes, e que, em 2010, realizou apenas R$ 157,00 de transferência do erário para os cuidados do SUS, por habitante/ano.

E esta cidade não tem emergência/urgência psiquiátrica nas emergências/urgências gerais, não tem unidades de desintoxicação e de apoio à síndrome de abstinência nos hospitais gerais, não tem unidade de comando Justiça/Polícia/Saúde para o enfrentamento da relação doença/crime do usuário e para o enfrentamento do tráfico, não tem comunidades terapêuticas públicas para a reversão do quadro de dependência até que o cliente se habilite ao tratamento ambulatorial. Somente tem seis Centros de Atenção Psicossocial para álcool e outras drogas, subdimensionados em pessoal, o pessoal existente mal remunerado, inadequadamente formado e contratado por meio de vínculos provisórios – prestação de serviços, projetos de cooperativas, empresas de terceirização -, realizando milagres de boa vontade e de paixão, além de poucas comunidades terapêuticas privadas, confessionais, de natureza filantrópica, ideologicamente identificadas com o conceito do tratamento como prêmio à força de vontade do cliente, exatamente diante dos casos em que a volição foi a primeira função a transtornar-se e a adoecer.

Se eu tiver um transtorno que não afeta minha vontade, uso minha vontade como parceira dos terapeutas e dos projetos terapêuticos. Mas quando é a própria vontade que falha, desaba num vazio, paralisa diante da ambiguidade de sentidos e de significados, perde a capacidade de auto-alavancar-se? Vou ficar seis, 12, 24 meses internado para que se opere em mim a prótese de uma vontade que resista às seduções do imediato e dos fetiches, numa sociedade cheia deles, por todos os lados?

Que mídia de massa, que educação, que família, que estrutura individual de vontade, que projeto societário são esses que me colocaram de boca escancarada diante de um vazio que somente a fissura preenche? E, incapaz de se compreender e se re-estruturar, que sociedade é essa que inventa uma nova peste, uma nova lepra, uma nova loucura, e, apavorada com o que criou, quer oferecer como resposta um novo asilamento?

O Ministério Público tem papel estratégico no equacionamento desta problemática, pois se faz necessário coordenar uma política específica, interdisciplinar e intersetorial, que atente para a prevenção do tráfico, respeitando liberdade e privacidade; para a repressão do tráfico, não confundindo usuário com traficante; para a inclusão da educação em saúde e qualidade de vida como integrante de uma educação para a cidadania que habite o projeto pedagógico de todo o ensino básico; e para a implantação de uma rede articulada de cuidados – desintoxicação, contenção da abstinência, proteção comunitária e atenção psicossocial territorial – baseada em serviços públicos, tocados por trabalhadores bem formados e com vínculo estável de trabalho, rede esta bem dimensionada em relação à população.

A dependência química transforma a existência de cada ser humano que a desenvolve em uma catástrofe angustiada, em uma tragédia desesperada, em uma coisa externa ao si mesmo, que se volta contra o si mesmo e o despedaça. Mas nós todos somos responsáveis, partícipes da determinação e partícipes da solução, desafiados a salvar no outro a nossa própria condição.

Esse alinhamento crítico é minha esperança. Por isso, ainda, falo.

MUITO OBRIGADO!



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Projeto para o SÃO GABRIEL CONTRA O CRIME - abril de 2009

Projeto de Alerta para o Crescimento do Consumo de CRACK





Idealizadores: Promotoria de Justiça de São Gabriel, com inspiração no trabalho proposto pela Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul


São Gabriel, abril de 2009.


JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS:

O presente Projeto de alerta social denominado “SÃO GABRIEL CONTRA O CRIME”, cujo mote publicitário será “CRACK: Ignorar é o seu vício?”, parte da premissa de que o combate ao crescente abuso de drogas, particularmente o “crack” [1], deve ser aprimorado conjunturalmente no seio da sociedade, envolvendo-se todos os atores sociais disponíveis para que a luta atinja metas e objetivos tanto de correção (repressão) como principalmente na prevenção do problema, alertando a sociedade para a necessidade de engajamento para atacar também as causas da problemática.

O psiquiatra Félix Kessler, vice-diretor do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) relata que "No Hospital São Pedro, o número de usuários de crack vindos do interior é muito grande. A cada dez pacientes que procuram a emergência psiquiátrica do hospital, cerca de sete são usuários de crack vindos do interior", verificando-se que o problema — inicialmente restrito a grupos de maior risco social em grandes centros urbanos — tem se expandido rapidamente até as cidades médias do interior do estado e, inclusive, alcançando as camadas sociais mais favorecidas, não havendo mais fronteiras para os catastróficos efeitos que esta droga produz, consubstanciando-se em um fenômeno de ordem nacional.

As recentes constatações de que somente o combate no ponto final da cadeia, quando o “estrago” já se realizou (tanto do ponto de vista individual como coletivo), não surte os efeitos desejados (dado o aumento exponencial das prisões e apreensões da droga no estado, sem relevante redução do problema em si) leva a considerar que os esforços devam ser efetivados em conjunto e de forma mais efetiva, aliando-se desde a família, o atendimento público e privado de educação e saúde, bem como as entidades policiais, os empreendedores e o terceiro setor, intentando conscientizar a todos sobre as respectivas responsabilidades sociais.

O Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas, General Paulo Roberto Uchôa, defende que o uso das forças policiais é a melhor estratégia para reduzir a oferta de substância ilícitas. Mas, no campo da demanda[2], ele concorda que o caminho deve ser o da prevenção e tratamento, com ações articuladas entre vários setores e níveis de governo e da sociedade: "A droga está em todos os setores, ela não é um problema de saúde. A droga não é um problema de educação, ela é também um problema de educação, não é um problema de direitos humanos, é também, e assim por diante, porque ela está inserida em todos os setores. Então, se você quiser fazer um compartimento estanque só para drogas, você não vai conseguir, porque qualquer política sobre drogas tem que estar integrada com a área da educação, da saúde, da justiça, da assistência social e assim por diante"[3].

A par de se intensificar ações de combate policial ao tráfico de drogas, com mapeamento de pontos de venda e de consumo ostensivo (objeto de reuniões com as respectivas autoridades), buscando minimizar a oferta de entorpecentes, faz-se imprescindível enaltecer iniciativas já existentes no âmbito da comunidade no sentido de reduzir a demanda, integrando-as e aprimorando-as, analisando a situação local no intuito de identificar ausências e possíveis falhas no sistema, preenchendo lacunas de atuação com novas iniciativas/atitudes complementares.

A abordagem social não deve se limitar à redução do uso ilegal de drogas, mas centrar o embate nos comportamentos associados ao consumo[4] e que tem impacto negativo na comunidade (os quais prejudicam a qualidade de vida e o bem-estar dos cidadãos), com iniciativas que visem a assegurar efetividade no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, no maior controle de abuso de álcool na direção veicular, na poluição sonora noturna, na exposição pública de adolescentes a cenas que caracterizem degradação (material de consumo de drogas jogado na via pública ou o próprio consumo de drogas nas proximidades de escolas e em prédios abandonados), circulação de menores pela vias públicas durante a madrugada, bem como a frequência destes em locais de recreação noturna, etc.

Propõe-se, portanto, o chamamento de todos os atores sociais (líderes, cuidadores, autoridades, poderes constituídos e instituições) no sentido de conscientizar e mobilizar os cidadãos para que façam a sua parte no combate ao consumo de crack.

O presente Projeto será implementado, inicialmente, nos Municípios de São Gabriel e Santa Margarida do Sul.


DESENVOLVIMENTO DO PROJETO:

No intuito de buscar a conscientização da sociedade e dos agentes públicos, o Ministério Público estimulará iniciativas de enfrentamento do crescente consumo de crack a serem desenvolvidas nas comunidades envolvidas. Ações específicas serão efetivadas e levadas à divulgação midiática para alertar a opinião pública sobre o crescimento exacerbado do consumo de crack, persuadindo os cidadãos a se engajarem na campanha.

Como se disse, a par do agir destinado à redução da oferta da droga, implementar-se-á ações sociais com o desiderato de apoiar as famílias e cuidadores sociais na educação de crianças e adolescentes, principalmente no que tange ao trato direto da problemática em questão.

Neste contexto, segundo o Psiquiatra Dr. Sérgio de Paula Ramos (ONG Brasil Sem Grades[5]), a ausência de uma figura paterna efetiva — que o(a) filho(a) goste e admire, sendo responsável por impor limites aos impulsos e à busca imediata da satisfação dos desejos e característicos da infância e da adolescência — pode trazer inúmeros prejuízos na formação do caráter de meninos e meninas.

Tal constatação parte do fato de que a maioria dos usuários de drogas tiveram pais ausentes e provavelmente, na adolescência, encontraram o referencial masculino nos traficantes, em virtude do poder que estes ostentam no imaginário popular de comunidades vulneráveis — ao ponto de comumente serem chamados pelos usuários de “patrão” — denotando a necessidade que aqueles possuem em ter alguém que lhes represente poder e superioridade hierárquica[6].

Além disso, a ausência do pai provedor faz com que os filhos, cada vez mais cedo, sejam impelidos a “se virarem sozinhos”, criando a perspectiva narcisista de que eles são o “centro do seu universo”, o “começo e o fim das coisas”, e, portanto, “ai de quem ousar contrariá-los”, estabelecendo-se, por esta via, o que hoje em dia se denomina “a ditadura dos filhos”, formando um terreno fértil ao desenvolvimento do uso de drogas, pois a droga reproduz a busca imediata da satisfação dos desejos e prazeres infantis, nos dizeres do Promotor de Justiça Dr. Charles Emil Machado Martins.

Nesse toar, a presença do pai ou de uma figura masculina de referência, comprometida e saudável, é um marco fundamental para proteção contra o envolvimento com drogas.

Portanto, logo após a campanha de despertar social e início das atividades de mapeamento policial sobre o tráfico do entorpecente, o primeiro passo do projeto é identificar crianças e adolescentes estudantes da rede pública e particular de ensino que não possuam paternidade registral, adotando, o Ministério Público, as providências legais para que se promova a investigação da paternidade biológica, entendendo-se que o registro do nome paterno aumenta a auto-estima, valorizando a dignidade da pessoa humana — princípio alçado a fundamento da República Federativa do Brasil —, pois traduz a identidade da pessoa, a origem de sua ancestralidade, fortalecendo os vínculos familiares, base de nossa sociedade. Por isso, o direito ao patronímico é indisponível à mãe, tampouco pertence apenas ao pai, senão à entidade familiar, dir-se-ia, inclusive, à sociedade como um todo.

Paralelamente, deverá ser incentivada (mídia, palestras, etc.) a participação dos pais biológicos ou afetivos no processo escolar dos seus filhos e filhas. Consabidamente, no âmbito escolar, a figura paterna permanece geralmente numa condição secundária, com pouco espaço de interlocução, tornando-se assim, não raro, esquecida e sem muita importância no desenvolvimento escolar do filho.

Portanto, em conjunto com as Secretarias de Educação dos Municípios envolvidos, bem como a Coordenadoria Estadual de Educação, pretende-se sensibilizar a comunidade escolar (pais, professores, alunos, servidores, etc.), sobre a necessidade da presença do pai na escola, interagindo com os professores, impondo limites e incentivando os filhos, etc. O Ministério Público atuará orientando o Conselho Tutelar no contato com os pais que se demonstrarem resistentes a essa participação efetiva na vida escolar dos seus filhos.

Todavia, evidentemente, em muitos casos não será possível concretizar-se a presença paterna (biológica ou afetiva) na vida das crianças e adolescentes, de tal sorte que se vislumbra a necessidade de programas sociais em que o Município e a sociedade supram essa lacuna, com a presença de homens, voluntários ou profissionais, pagos ou não, que se predisponham a participar de atividades que apresentem aos meninos e meninas o referencial masculino de limites, disciplina, monitoramento, etc. Os filhos de pais drogaditos devem ser alvo de atenção especial, com supervisão e acompanhamento permanente.

O Ministério Público atuará como agente catalisador desses programas sociais, perante o Município e a sociedade organizada.

O Ministério Público, em parceria com o Poder Judiciário local, está criando na seara do JECCrim uma rede de atendimento psicossocial e encaminhamento ao CAPS, direcionada aos drogaditos, a exemplo da já existente rede relativa à Lei Maria da Penha, idealizada e efetivada na Comarca a partir do trabalho do Magistrado Dr. José Pedro de Oliveira Eckert, e que confere celeridade e eficácia ao sistema, integrando virtualmente diversas agências de atuadores sociais.

Como exemplo desses projetos tem-se, ainda, o PROERD da Brigada Militar (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) [7], o qual serve de parâmetro e se deve buscar a implementação extensiva em todas as escolas, priorizando-se aquelas situadas em comunidades com destacada vulnerabilidade social. Além disso, de um modo especial nessas comunidades, os projetos de contra-turno devem privilegiar a presença de educadores (homens) comprometidos com o Projeto, pois eles representarão o referencial masculino, principalmente nas atividades desportivas e artísticas desenvolvidas.

No mesmo sentido, imprescindível a colaboração do Exército Brasileiro em elaborar trabalho semelhante ao Programa Phoenix [8] (ou audiências/palestras como a realizada no Estado de Alagoas [9] ) relativamente aos recrutas locais, principalmente os que tenham envolvimentos em atos infracionais e/ou histórico prévio de dependência toxicológica, a fim de evitar comportamentos de risco dos conscritos do Exército Brasileiro. Ressalte-se a importância de tal proceder tendo em conta que os conscritos estão justamente na faixa etária em que cessa a menoridade, praticamente não havendo como se prosseguir na sistemática adotada pelo Estatuto da Criança e Adolescente (sendo esta a razão de tantas críticas emanadas da sociedade ao Estatuto, que gera inevitável sensação de impunidade na pessoa recém emancipada), sendo de capital importância evitar que o jovem cometa o primeiro crime (rumo a que o adolescente infrator fatalmente chegará se não for corretamente orientado de forma a impedir tal desenlace), devendo ele se sentir assistido pelo Estado e efetivamente receoso de uma punição maior, além de integrado à sociedade.
Neste mesmo passo, viabilizar seja o Projeto “Pelotão Esperança” reativado como forma de atuação externa e uso dos seus facilitadores como mais um referencial masculino a ser disponibilizado na junção de forças combativas em favor da cidadania.

Da mesma forma, a sociedade civil organizada, tanto os poderes públicos como o setor privado, será chamada a cooperar através das ações pré-existentes (como o projeto social “Possibilitando a Cidadania”) e da criação de novas programações (Treinamento Familiar na Lida com as Drogas e o Planejamento Familiar, o que abaixo se abordará mais detalhadamente).

O segundo passo do projeto é potencializar a estrutura necessária a esquadrinhar com inteligência os dados existentes sobre a problemática nas comunidades abrangidas, situação em que o Ministério Público trabalhará junto aos poderes públicos para a criação do Conselho Municipal Antidrogas – COMAD (salientando-se que há recursos destinados aos municípios que o criarem). Também a criação do Programa Saúde da Família – PSF [10] muito auxiliará na interlocução dos agentes com o público-alvo da campanha, o que enseja seja este ponto trabalhado pelo Ministério Público junto aos poderes públicos locais no convencimento acerca de sua necessidade.

Outro ponto de abordagem diz com os apenados locais. Sabidamente, as drogas e os comportamentos anti-sociais possuem relação, o que enseja a necessidade de operacionalizar algo semelhante ao Programa de Assistência ao Egresso e ao Apenado - Pró Egresso existente no Estado do Paraná [11] a fim de que se possibilite a quebra do ciclo de reprodução deste tipo de comportamento através da educação e assistência durante a ressocialização do preso. Em uma estratégia de mão dupla, os apenados deverão ser esclarecidos quanto ao sentido retributivo da sanção imposta, bem como deverão ser reforçadas na Comarca as fiscalizações pelo bom andamento das execuções criminais e aplicações das devidas reprimendas por fatos desabonatórios à disciplina prisional.

Por fim, o Projeto atuará na imperiosa conscientização sobre a necessidade de planejamento familiar [12] (ação que deverá permear todas as outras, inclusive, por ex., os apenados, os conscritos), algo que, como diz a Promotora de Justiça Fabiane Rios Lisardo, muito se tem falado, mas de conceito impreciso. Sem embargo da indeterminação conceitual existente nessa seara, certamente o que há de ser prioritário é a conscientização de homens e mulheres sobre suas responsabilidades de amor e afeto com relação aos filhos, pois como diz a referida Promotora “Filho não é herança e não é ‘bolsa-família’". Nesse nível, o Ministério Público também atuará, em parceria com os Municípios, notificando os pais que, conforme os critérios legais, revelarem-se, na análise dos profissionais do CAPS (instado a colaborar proativamente), incautos, vulneráveis, ou sem a precípua consciência da necessidade do planejamento familiar.

As Secretarias Municipais de Saúde terão papel central em várias destas atividades, devendo buscar aliados como a Irmandade da Santa Casa de Caridade, nosocômio em que o Poder Público disponibiliza leitos públicos, sendo que seis são exclusivos para a internação de drogaditos e outros seis para pessoas com sofrimento psíquico (o que vêm a facilitar o tratamentos de casos mais graves), estrutura a ser gerida pelo CAPS, de forma a inserir no atendimento das necessidades comunitárias os preceitos de bem combater os efeitos do abuso de crack.

Neste passo, insere-se a criação de um Grupo de Trabalho e Pesquisa para a elaboração de um programa local de Treinamento Familiar no Controle do Abuso de Drogas, nos moldes do proposto pelo UNODC/CND/ONU em seu Guide to implementing family skills training programmes for drug abuse prevention, com a participação da URCAMP, dos educadores e demais agentes sociais (CAPS, etc.).

As entidades civis com e sem atuação social até o momento deverão ser chamadas a integrar a campanha, de forma indistinta, salientando-se a necessidade do esforço a ser empreendido na construção da efetiva prevenção e combate ao crescente abuso de drogas, particularmente o “crack”, em nossas comunidades, hoje o principal fator na dinâmica dos conflitos familiares e da criminalidade.



DESENVOLVIMENTO DAS AÇÕES PROJETADAS:


1º Passo:

1 - Expedição de ofícios à Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal, Exército Brasileiro, Poder Judiciário (incluindo Vara do Trabalho), Prefeituras Municipais, Câmaras Municipais de Vereadores, Conselhos Tutelares, emissoras de rádio, jornais, entidades civis e organizações representativas [13], solicitando a adesão e a participação nas ações do Projeto de Alerta “SÃO GABRIEL CONTRA O CRIME” cujo mote principal é “CRACK – Ignorar é o seu vício?”, propondo agendamento de data e horário para breve exposição inicial do mesmo e formalização de apoio, como contato prévio;


2.1 - Reunião com o Comando da Brigada Militar e Delegado de Polícia Civil para mapeamento de pontos de venda de drogas e de consumo ostensivo de entorpecentes, solicitando ao Comando da Brigada Militar a elaboração de uma rotina esquemática de abordagens e controle de abuso de álcool na direção veicular, da poluição sonora noturna (principalmente nos fins de semana), da exposição pública de adolescentes a cenas que caracterizem degradação e exploração sexual de adolescentes na via pública e proximidades de escolas;


2.2 - Reunião com o Delegado da Polícia Civil para mapeamento de pontos de prostituição (inclusive nas ruas), solicitando a elaboração de um trabalho investigativo sobre a exploração sexual de adolescentes a fim de viabilizar futuras abordagens e retirada das vítimas de tal degradação;

2.3 - Criação de uma Força-Tarefa composta por Ministério Público, Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar —, para atuação conjunta nos locais identificados nos itens anteriores, em atividade de fiscalização e repressão;


3.1 - Reunião com os Secretários Municipais de Turismo, Educação, Saúde, e Assistência Social, dos Municípios de São Gabriel e Santa Margarida do Sul, solicitando a adesão e a participação nas ações do Projeto de Alerta “SÃO GABRIEL CONTRA O CRIME”, viabilizando futuras ações programadas ;


3.2 - Reunião com o Instituto Cultural e Educacional Harmonia Gabrielense solicitando a adesão e a participação no Projeto de Alerta “SÃO GABRIEL CONTRA O CRIME” por intermédio das ações desenvolvidas no Projeto “Possibilitando a Cidadania”, a fim de viabilizar as ações sociais de inclusão e cidadania programadas;

4 - Expedição de ofícios a creches, pré-escolas e escolas particulares de ensino fundamental e de ensino médio, à Coordenadoria Regional de Educação e à Secretária Municipal de Educação e Cultura, inclusive a APAE, solicitando o nome, idade, filiação, endereço e série escolar da criança e do adolescente sem o nome do pai na certidão de nascimento, com vistas à instauração de procedimento administrativo individual, para cada criança e adolescente, objetivando buscar elementos para identificar o pai da criança que não tem a paternidade reconhecida, com a observação dos procedimentos legais (portaria, registro, comunicação ao CAOIJ, etc.);


4.1 - Expedição de ofício à Distribuição da Comarca para verificar se existe ou existiu ação de investigação de paternidade ou procedimento para averiguação de paternidade promovida pela criança e, caso positivo, qual o resultado;

4.2 - Notificação da mãe da criança sobre a instauração do inquérito civil, com a designação de audiência na Promotoria de Justiça para comparecimento a fim de prestar esclarecimentos sobre a paternidade da criança, trazendo, na oportunidade, cópias de sua certidão de nascimento ou casamento e da certidão de nascimento do filho;

4.3 - Se a mãe indicar o suposto pai de seu filho, designar audiência na Promotoria de Justiça e intimá-lo para comparecimento a fim de manifestar-se sobre a possibilidade de reconhecimento da paternidade da criança. Caso positivo, será lavrado termo de reconhecimento de paternidade, nos termos do art. 1º, inciso II, da Lei nº. 8.560/92 (Lei de Investigação de Paternidade), buscando, se possível, composição quanto a alimentos e visitas;


4.4 - Encaminhar o termo ao Poder Judiciário, para homologação, com requerimento que seja determinado, ao Oficial do Cartório de Registro das Pessoas Naturais, a devida averbação, requisitando-se a remessa de certidão de nascimento, já com o nome do pai da criança, nos termos do art. 2º, § 3º, da Lei nº. 8.560/92 (Lei de Investigação de Paternidade);


4.5 - Notificar a mãe da expedição da certidão de nascimento da criança à sua mãe e promover o arquivamento do procedimento administrativo;

4.6 - Se o suposto pai não reconhecer a paternidade, seja porque tem dúvida, e requer o exame de DNA, seja porque a nega, o Ministério Público promoverá ação de investigação de paternidade;

4.7 - Se a mãe não indicar o suposto pai de seu filho, a Promotoria de Justiça analisará as razões e as justificativas apresentadas. Se julgá-las improcedentes, continuará investigando e, para tanto, buscará ouvir familiares, parentes e amigos e, além disso, examinará a possibilidade de responsabilizar judicialmente a mãe por eventuais sanções administrativas e civis;

5 - Expedição de ofícios a creches, pré-escolas e escolas particulares de ensino fundamental e de ensino médio, à Coordenadoria Regional de Educação e à Secretária Municipal de Educação e Cultura, inclusive a APAE, o nome, idade, filiação, endereço e série escolar da criança e do adolescente, cujo pai não participa minimamente da vida escolar do filho;

5.1 - O Ministério Público notificará os pais que se demonstrarem resistentes a essa participação efetiva na vida escolar dos seus filhos, para que compareçam na Escola, em dia e horário previamente determinado pela Direção desta, oportunidade em que lhes será apresentado vídeo com palestra do Psiquiatra Dr. Sérgio de Paula Ramos, com a intervenção de psicólogas e professores;

6 - Expedição de ofícios aos Coordenadores dos Cursos de Direito e de Enfermagem da URCAMP solicitando a adesão e a participação no Projeto de Alerta “SÃO GABRIEL CONTRA O CRIME” através da elaboração de ações a serem desenvolvidas no Projeto.


2º Passo:


1. Reunião com o Prefeito e representantes de entidades sociais, expondo-lhes a necessidade da criação do Conselho Municipal de Política Antidrogas, bem como acerca da presença de homens, voluntários ou profissionais, pagos ou não, que se predisponham a participar de atividades escolares e que se apresentem aos meninos e meninas como referencial masculino de limites, disciplina, monitoramento, etc.


2. Reunião com a Autoridade Militar Federal para proposição do Programa local de valorização da vida e aumento da auto-estima, tendo como público-alvo tanto os conscritos como o público externo à instituição, este nos moldes do PROERD;


3. Reunião com os professores e diretores das escolas dos Municípios de São Gabriel e Santa Margarida do Sul, com palestra do Psiquiatra Dr. Sérgio de Paula Ramos, visando sensibilizá-los sobre a necessidade da presença do pai na escola, interagindo com os professores, impondo limites e incentivando os filhos, etc;

4. Reunião com a Coordenadora Estadual de Educação e Secretárias de Educação dos Municípios envolvidos, bem como a Brigada Militar a fim de expandir o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – PROERD[14];

5. Criação, em parceria com a URCAMP, CAPS e Irmandade da Santa Casa de Caridade, de um Grupo de Trabalho e Pesquisa para a elaboração de um programa local de treinamento familiar no controle do abuso de drogas nos moldes do Guide to implementing family skills training programmes for drug abuse prevention do UNODC/CND/ONU.

3º Passo:

1. Reunião com o Prefeito e representantes de entidades sociais, expondo-lhes a necessidade da implementação de equipes de Programa Saúde da Família - PSF no Município, principalmente nas comunidades com destacada vulnerabilidade social;

2. Instar a elaboração e implementação de um projeto de planejamento familiar efetivo e acessível a toda comunidade, de um modo especial àquelas localidades com destacada vulnerabilidade social;

3. Encaminhar ao Juízo da VEC, Diretor do Presídio local, Conselho da Comunidade e Prefeitura Municipal sugestão de trabalho no sentido de criar o Programa de Assistência ao Egresso e Apenado;

4. O Ministério Público notificará as pessoas que se revelarem, na análise dos profissionais do CAPS, incautos, vulneráveis, ou sem a precípua consciência da necessidade de participação no programa de planejamento familiar, ajuizando as medidas judiciais necessárias e cabíveis no caso de persistente resistência à participação no programa;

5. Reunião entre todos os agentes envolvidos, ao fim de três meses de trabalho, para a análise dos dados e avaliação de resultados, com o fito de ajustar o desenvolvimento do Projeto.


CRONOGRAMA

O projeto será iniciado em abril de 2009, com previsão de avaliações trimestrais sobre o seu andamento.

PESSOAL ENVOLVIDO NO ÂMBITO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Promotores de Justiça (Especializada, Cível e Criminal), Assistente de Promotoria, Secretários de Diligências e estagiários dos respectivos gabinetes.



Por enquanto
há escória
de sobra.
0 tempo é escasso -
mãos à obra.
Primeiro
é preciso
transformar a vida,
para cantá-la -
em seguida.



(Vladimir Maiakovski)



[1] Vide a matéria “A expansão do Crack”, veiculada no Jornal Agora – RS, publ. em 23/03/2009, com acesso em http://www.abead.com.br/midia/exibMidia/?midia=3859 , no dia 17/04/2009.

[2] A Comissão de Narcóticos da ONU (Commission on Narcotic Drugs - CND) recentemente publicou um Plano de Redução da Demanda como principal instrumento a nortear suas ações nesta seara.

[3] Artigo acessado em http://www.abead.com.br/noticias/exibNoticia/?cod=223 , no dia 17/04/2009.

[4] Segundo indicação do UNODC/ONU o trabalho preventivo inclui a redução da demanda, sendo que, para tanto, é necessário restringir a visibilidade das drogas frente à juventude.

[5] Palestra disponível em http://www.brasilsemgrades.org.br/ .

[6] Trecho incorporado a partir do Projeto “PAI: PRESENTE!”, desenvolvido na Promotoria de Justiça de São Sebastião do Caí sob a coordenação do Dr. Charles Emil Machado Martins, material cedido gentilmente.

[7]  Disponível em http://www.brigadamilitar.rs.gov.br/compromisso_social/proerd.asp , acessado em 22/04/2009.

[8] Disponível em www.crprj.org.br/mostra/trabalhos/2008saude/PROGRAMA_PHOENIX.pdf , acessado em 22/04/2009. O Coordenador do Programa é o Psiquiatra e Major do Exército Marco Barreto, conforme matéria disponível em http://www.alerj.rj.gov.br/common/noticia_corpo2.asp?num=25231 .

[9] Notícia disponível em http://www.mulherecidadania.al.gov.br/noticias/jovens-do-exercito-debatem-politicas-publicas-durante-conferencia-livre/ , acessado em 23/04/2009. Também relevante a iniciativa noticiada em http://www.comunidadesegura.org/pt-br/node/36864 .

[10] Disponível em http://www.brigadamilitar.rs.gov.br/compromisso_social/proerd.asp , acessado em 22/04/2009.

[11] Disponível em http://www.pec.uem.br/pro-egresso/index.htm , acessado em 27/04/2009.

[12] Trecho igualmente sugerido pelo Promotor de Justiça Charles Emil Machado Martins, em material gentilmente cedido.

[13] URCAMP, UNIPAMPA, Irmandade da Santa Casa de Caridade, CDL/ACI, OAB/RS Subseção São Gabriel, Associações de Moradores, Congregações Religiosas, Escolas e Colégios particulares, Associações e Sindicatos, ICEHG, Cooperativas, ACAS-BM, MTG (CTGs e PTGs), Lions Club, Rotary Club, Lojas Maçônicas, Liga Feminina de Combate ao Câncer, Grupo de Motoqueiros Marechais do Asfalto, etc.,

[14] O PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) tem como base o D.A.R.E. (Drug Abuse Resistance Education), e foi criado pela Professora Ruth Rich, em conjunto com o Departamento de Polícia da cidade de Los Angeles, EUA, em 1983. O PROERD é desenvolvido nas Escolas de 1ª a 4ª Séries, por policiais militares treinados e preparados para desenvolver o lúdico, através de metodologia especialmente voltada para crianças. O objetivo é transmitir uma mensagem de valorização à vida, e da importância de manter-se longe das drogas. O Programa é pedagogicamente estruturado em lições, ministradas obrigatoriamente por um policial militar fardado; que além da sua presença física em sala de aula como educador social, propicia um forte elo de ligação na comunidade escolar em que atua, fortalecendo o trinômio: Polícia Militar, Escola e Família.O Programa oferece, em linguagem acessível às faixas etárias que se direciona, uma variedade de atividades interativas com a participação de grupos em aprendizado cooperativo; atividades que foram projetadas para estimular os estudantes a resolverem os principais problemas na fase em que se encontram vivendo.O Programa não invalida qualquer outro Programa, Trabalho ou Atividade de prevenção, dirigido aos jovens como um todo. A cooperação da sociedade é fundamental, e a participação, efetiva, do empresariado constitui-se na sustentação, econômica e financeira, da viabilidade e continuidade do PROERD, visando atender parcela, cada vez mais significativa, das crianças e adolescentes, criando, dessa forma, uma rede protetiva, crescente, contra as drogas (lícitas e ilícitas), bem como contra as atitudes que geram violência. (fonte: wikipédia).